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100 milhões de embalagens devolvidas: a volta ganha escala em Portugal
22/07/2026

Em pouco mais de três meses, a devolução de garrafas e latas começou a integrar-se nos hábitos dos consumidores.

O Sistema de Depósito e Reembolso ultrapassou os 100 milhões de embalagens de bebidas devolvidas, pouco mais de três meses depois de a volta ter entrado em funcionamento, a 10 de abril de 2026.

A evolução tem sido expressiva. Nos primeiros dois meses foram devolvidas mais de 10 milhões de embalagens. Quatro semanas depois, o total já tinha atingido 55,5 milhões. Agora, o sistema ultrapassou a marca dos 100 milhões.

A taxa de recolha estimada até ao final de julho ronda os 38%, refletindo uma adesão crescente dos consumidores numa fase em que o sistema ainda está a consolidar-se.

A volta abrange garrafas de plástico e latas de bebidas de uso único com capacidade inferior a três litros. Ao atribuir um valor de depósito a estas embalagens, o sistema incentiva a sua devolução depois do consumo e permite recolhê-las separadamente dos restantes resíduos.

A recolha dedicada permite recuperar PET e alumínio com a qualidade necessária para uma reciclagem em circuito fechado, criando condições para que uma garrafa volte a ser uma garrafa e uma lata volte a ser uma lata.

A rede conta já com mais de 2.500 Pontos volta automáticos, dos quais 521 se encontram na Grande Lisboa e 322 no Grande Porto. Existem ainda pontos de recolha manual e está prevista uma rede de 50 Quiosques volta em 38 municípios, cuja instalação decorre de forma faseada.

A escala do sistema ajuda a perceber a complexidade da operação: estão em causa cerca de 2,1 mil milhões de embalagens, 11,5 milhões de habitantes, 30 milhões de turistas por ano e aproximadamente 95 mil operadores económicos.

Uma mudança desta dimensão implica um período de adaptação. O desafio passa agora por reforçar a rede, melhorar a operação e encontrar respostas para os problemas identificados, em articulação com os operadores económicos, os municípios e as autoridades públicas.

A adesão dos portugueses confirma a importância de um sistema que está a mudar hábitos e a recuperar recursos que antes acabavam no lixo ou em aterro.