A FIPA – Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares, em parceria com a SDR Portugal, promoveu a conferência “A Indústria Agroalimentar e o Desafio das Embalagens - O Sistema de Depósito e Reembolso para as Embalagens de Bebidas”, realizada durante a LisbonFoodAffair, em Lisboa.
A partir de 10 de abril, será implementado um novo sistema de depósito de embalagens que poderá devolver até 213 milhões de euros aos consumidores portugueses. O sucesso desta iniciativa depende fortemente da adesão ativa do cidadão-consumidor.
A abertura da conferência contou com a intervenção de Jorge Tomás Henriques, Presidente da FIPA, que destacou os desafios enfrentados pelas empresas na gestão de embalagens e reforçou o compromisso do setor em avançar desde cedo com a regulamentação e legislação do novo sistema de Depósito e Reembolso (SDR). Jorge Tomás Henriques salientou ainda a importância de equilibrar o respeito pelo ambiente com as necessidades dos consumidores e da indústria agroalimentar, em linha com as metas ambientais estabelecidas por Bruxelas para Portugal.
Leonardo Mathias, Presidente da SDR Portugal, destacou a importância da circularidade das embalagens, enfatizando as ações de redução, recuperação e reciclagem de materiais, que serão geridas por produtores e aprovadas pelas autoridades competentes. Destacou ainda que o sistema trará enormes benefícios ambientais e que, para a sua implementação, será necessário um investimento de 100 milhões de euros em aproximadamente 2.500 máquinas de venda inversa e mais de 8.000 pontos de recolha, para dar resposta a 2,1 mil milhões de unidades de embalagem previstas. Reforçou também que a adesão do cidadão será fundamental para o sucesso do sistema, destacando o papel ativo do consumidor na devolução das embalagens.
Seguiu-se a intervenção de Miguel Mira, da SDR Portugal, que apresentou os detalhes do funcionamento do sistema de depósito e reembolso em Portugal, explicando as vantagens económicas, ambientais e sociais da sua implementação. O sistema visa promover a economia circular através da recuperação de embalagens de bebidas de uso único, como garrafas de plástico, latas de alumínio ou aço até 3 litros, contribuindo para a redução do consumo de recursos naturais e para a reciclagem de alta qualidade desses materiais.
A logística foi apontada como um dos maiores desafios para a implementação do SDR, especialmente devido à capilaridade do retalho no país, considerado um canal complexo para a gestão eficiente do sistema.
O debate sobre os desafios do SDR foi moderado por Miguel Mira e contou com a participação de António Casanova (CircularDrinks), Francisco Furtado Mendonça (APIAM), José Maria Azeredo (SDR Retalhistas) e Márcio Cruz (PROBEB). Entre os principais desafios destacados pelos intervenientes estão a operação logística - especialmente na rede de recolha no canal Horeca -, a incerteza quanto ao comportamento do consumidor na adesão ao sistema, e a necessidade de uma regulamentação ágil e eficiente. Os participantes também destacaram a importância da cooperação entre os setores da indústria e distribuição para fortalecer a cadeia de valor e cumprir as metas estabelecidas pelo SDR.
Este evento reforçou o compromisso de todos os envolvidos na cadeia de valor para garantir o sucesso do Sistema de Depósito e Reembolso, contribuindo para um futuro mais sustentável para Portugal, defendendo que as embalagens não são lixo e que é possível assegurar a sua circularidade.
Artigo originalmente publicado pela Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares, em 11 de fevereiro de 2026